domingo, 6 de novembro de 2011

Algumas palavras sobre Habitação e Anarquismo

O que @s anarquistas, ou ao menos uma parcela delxs, têm a dizer sobre a questão habitacional? Bem, antes de responder a essa questão, precisamos analisar toda uma rede de políticas urbanas empreendidas pelo Estado conjuntamente com o setor privado para depois colocar a perspectiva libertária sobre esse assunto.
Os grandes centros urbanos do Brasil estão passando pelo mesmo processo, antigxs moradorxs da região central estão sendo forçadxs a se mudar por conta do aumento exorbitante e intencional do preço dos aluguéis.
Em 2000 a prefeita Marta Suplicy e seus/suas lacaixs deram cabo a um projeto urbano para um centro “requalificado” (eufemismo para limpeza urbana). Para legitimar esses empreendimentos, a ex-prefeita usou um discurso pretensamente democratizante: de preservar e restaurar os espaços de interesse histórico, favorecendo atividades culturais, turísticas a todxs, sem restrição de classe. Nota-se que, simultaneamente, a partir do ano 2000 medidas para acabar com cortiços, imóveis de custos mais baixos, moradorxs de rua, comércio ambulante foram sendo severamente empregadas, sem a menor preocupação de dar um respaldo a essxs moradorxs/trabalhadorxs. Isto explicita o real interesse por trás desse projeto: transferir, a força, as classes pobres para regiões periféricas e apelar/atrair classes abastadas para residir ou freqüentar a região central, mudando seu caráter. O que houve em São Paulo foi a marginalização dxs pobres, gerando o não acesso delxs aos objetos consumíveis das classes abastadas (turismo, lazer, cultura). O pretenso discurso democratizante na realidade se firmou como excludente, @s pobres foram jogadas à periferia, fazendo o percurso até o centro apenas para trabalhar (muitxs na construção/revitalização deste espaço através do trabalho terceirizado) não possuindo condições econômicas para freqüentar os nichos de lazer, cultura, turismo localizados principalmente no perímetro central. Essa idéia de “embelezar” a cidade, especificamente o centro, permanece hoje no endurecimento das leis sobre o comércio ambulante, nos investimentos megalomaníacos realizados no RJ para sediar as olimpíadas e a copa, o que culmina no favorecimento dos interesses de classes abastadas, negligenciando e desfavorecendo as classes pobres. Essas são as políticas urbanas aplicadas pelo Estado, setor privado e ONG’s que acabam gerando uma forte especulação imobiliária.
Qual a posição dxs anarquistas diante disso? Perante o desenvolvimento desse processo proposital de segregação, nós defendemos a okupação de espaços inativos para fins sociais e de habitação, ou seja, o capital e seus/suas comparsas estão no jogando às margens ou até mesmo deixando muitxs sem qualquer moradia, portanto, okupemos! Mostremos a nossa disposição de ir contra a propriedade privada e contras todos os aparelhos e instituições a serviço do Estado e do capital. Okupemos e transformemos estes espaços em pólos político-culturais de disseminação de pensamentos libertários. Contrarie a lógica mercadológica de consumo, estimule a autonomia. Nos coloquemos contra todos esses empreendimentos que só beneficiam uma minoria. Construamos ambientes de convivência coletiva, aberto a todxs, efetivamente democráticos!
Okupa,resiste e ataka! Se destroem nossos sonhos, okuparemos vossos pesadelos!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Flecha

A Flecha é um periódico libertário feito pelo Coletivo Revolucionário Insurgência Popular, de Araraquara.

Leiam,compartilhem!

http://www.4shared.com/get/NsfVgJCK/Jornal_libertarioAA1936-1.html

Abraços (A)

domingo, 23 de outubro de 2011

Crimes em uma sociedade anarquista

O tema de crimes no seio de uma sociedade anarquista tem gerado muitas discussões e polêmicas dentro de círculos libertários e não libertários. Caracterizo crimes como atitudes anti-sociais, no sentindo de se colocarem contra os princípios e a ordem consensual e livremente aceita, que prejudicam um indivíduo ou um coletivo. Portanto, a meu ver, pode-se substituir a palavra crime por delito, infração, transgressão ou outra que desejarem.
Não desejo de forma alguma encerrar o debate com essa minha breve exposição, pretendo apenas colocar alguns pontos importantes para reflexão e contribuir para a construção e desenvolvimento dessa temática.
Atualmente, na sociedade capitalista, a maior parte dos crimes surge por razões econômicas, dados comprovam isso, não se pode negar, embora instituições públicas e privadas insistam em afirmar que a problema dos crimes é algo individual e não social.
Alguns/algumas libertárixs crêem que numa sociedade ácrata não ocorrerão delitos, pelo fato da mudança radical estrutural da sociedade (tanto econômica quanto política e social) garantindo, conseqüentemente, que todxs tenham as necessidades fundamentais supridas e que as demais sejam distribuídas igualitariamente. Aí elxs incorrem num erro que parte de uma idealização. É possível presumir asseguradamente que crimes por motivos econômicos serão raríssimos ou não existirão, mas afirmar categoricamente que outros tipos de crimes não existirão é um erro, muito cometido pelxs marxistas deterministas que confiam cegamente na emancipação mecânica, à reboque, de níveis mentais, culturais, sociais a partir da transformação econômica. Buscamos também uma mudança de mentalidade, entretanto, resquícios morais da sociedade em ruínas ainda poderão coexistir, além de problemas vinculados especificamente a indivíduos. Não podemos garantir que estupros, assassinatos, crimes de natureza distinta da econômica, não acontecerão, pois assim seremos simplistas e estaremos negligenciando o que efetivamente pode vir a suceder. Devemos, portanto, pensar em como resolvê-los. Delegaremos a resolução para uma casta de especialistas? Jamais, porque isso foge dos nossos princípios. Quem os resolverá? @s envolvidxs devem se incumbir da resolução. Se o crime tiver repercussão a nível local, a comunidade deve solucioná-lo. Se a nível maior, a federação ou a confederação.
Precisamos ser racionais, evitar tomar medidas cheias de emoção,raiva. Não queiramos nos transformar em déspostas e tiranos e nem cair em deliberações espontaneistas. A gama de possibilidades de crimes é diversa, portanto, não cabe aqui referenciá-las, logo não podemos ter uma solução universal e estanque a todos os crimes, eles devem ser pensados na sua especificidade pelxs envolvidxs. Assim manteremos nossos princípios e resolveremos problemas ordinários em organização social baseada na liberdade, solidariedade e igualdade.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Manifesto contra a corrupção (Campinas)" perceber as intencionalidades

A todxs que prentedem ir no "Manifesto contra a corrupção (Campinas): Acabei de ler a convocatório dos movimentos que estão articulando o ato. Claramente é um proposta de cunho legalista, deixando transparecer, intencionalmente ou não, um caráter nacionalista, de lutar 'pelo nosso Brasil'. Abordam a corrupção de maneira extremamente simplista, propondo soluções com base no arrivismo da cobrança dxs diplomatas (doce ilusão). Determinam a priori a ação dxs participantes ' Não usem violência e não sejam tolos de reagir a qualquer forma de opressão da polícia/militares' (como se a reação/autodefesa coubesse dentro dessa dicotomia violento/não violento). Não há objetivo de transformação estrutural da sociedade, buscam apenas a mudança de dirigentes, mantendo o mesmo quadro econômico ' provaremos a fé em um Brasil mais justo,possível berço de uma nação formada por dirigentes com consciência social...'. E pra fechar, ainda colocam o seguinte: ' Queremos ordem e progresso'.
Bem,só gostaria deixar uma mensagem: Libertárixs,não sejam usadxs como massa de manobra em movimento de natureza reformista!

Vejam o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=TJf4xbkCMqo&feature=player_embedded

domingo, 2 de outubro de 2011

Atuar é imprescinvídel

A todxs aquelxs que fazem críticas incongruentes e sem fundamento para justificar o “nadafazismo”: É comum eu, e acredito que muitxs anarquistas/libertárixs, ser interrogado/julgado por pessoas que possuem um anarcômetro e um senso de purismo altamente irreal. Fazem perguntas do tipo “Você não é anarquista? Então por que trabalha? Por que trabalha para um patrão?” , “Você não é anarquista? Então por que consome produtos feitos pela sociedade capitalista?”, “Você não é anarquista? Então por que estuda em instituições públicas” e por aí vai...Bem,essa semana li um zine Anarquista Vegan SxE, não me lembro de qual coletivo, que desenvolvia uma resposta a essxs idealistas. Grosso modo, o zine dizia que vivemos em uma sociedade da contradição, que constantemente está contradizendo os próprios princípios que ela se assenta, portanto, seria impossível, mesmo quando buscamos incondicionalmente, ser inteiramente coerente com nossos ideais. O zine usa o exemplo do veganismo, diz que é impossível ser 100% vegan nessa sociedade altamente hierarquizada que defende a divisão social do trabalho, pois não sabemos se o arroz, o feijão que consumimos não foi transportado por um cavalo, um burro ou uma vaca. O que, evidentemente, não quer dizer que devemos deixar de lado o veganismo, o anarquismo ou alguma outra ideologia que contraste diretamente com a economia de mercado em que vivemos. Pelo contrário, como anarquistas buscamos o fim dessa sociedade de exploração do homem pelo homem, como vegans lutamos em prol do fim da exploração do animal pelo homem, batalhamos por isso agora, não delegaremos nossas lutas para o futuro incerto esperando que as condições objetivas tenham se materializado e que a emancipação econômica gere automaticamente as demais libertações (ecológica, de gênero, animal...), pois isso seria crer num engodo mecanicista. A emancipação deve ocorrer em todas as bases (culturais, morais, materiais, sociais...), portanto deve-se atuar em todas frentes pró-libertação total. Enfim, não devemos deixar que essxs ilusionistas nos desestimulem e desmoralizem, nossa luta se faz aqui em agora com vistas à emancipação geral! Viva a Anarquia, Viva a Revolução Social!